APL - © Susana Neves

À Procura de Lem

Sinopse

Como Lem e como um número felizmente muito elevado de pensadores, ficcionistas, dramaturgos e poetas, façamos do exercício da dúvida uma prova de apreço pela vida. -Saguenail e Regina Guimarães-

Stanislaw Lem (1921-2006), o escritor polaco em torno de cujas pessoa e obra este espetáculo foi construído, é uma figura literária famosa e publicada no mundo inteiro em coleções de cariz popular e, ao mesmo tempo, um autor paradoxalmente desconhecido.


Pegando apenas no exemplo da atenção que o cinema dedicou aos seus textos, verificamos que, por um lado, dois cineastas de referência, Andrei Tarkovski e Steven Soderbergh, adaptaram o romance «Solaris», por outro, inúmeros filmes, alguns dos quais estrondosos sucessos de bilheteira - nomeadamente «Matrix» de Les Wachowski ou «eXistenZ» de David Cronenberg - se inspiraram do universo, das reflexões, das conjeturas, dos enredos de Lem sem que o seu nome jamais seja citado. Para esta equipa reunida pelo Teatro de Ferro, tratava-se pois de fabricar um objeto que despertasse a curiosidade pelo legado de Lem e pelas inquietações de que os seus livros são portadores.


A obra de Lem é muito vasta e explora, dentro do género apelidado de «ficção científica», questões filosóficas e éticas muito variadas - do lugar da humanidade no universo ao desespero do homem confrontado com as suas limitações, passando pela interrogação acerca da inteligência. Dentro desse manancial de assuntos interessantes e importantes, escolhemos temas cuja atualidade ou intemporalidade nos parecem notórias, a saber: a traição, a paranóia, a duplicação e a duplicidade, não esquecendo a relação de profunda dependência que a ciência tem com a política sem que essa relação seja norteada por uma deontologia rigorosa e específica.

Dentro dos seus livros, Lem trabalha sempre no segundo grau, todo e qualquer enunciado é passível de ser desdito umas páginas adiante. Então, em lugar de explorar o princípio da mentira inerente à linguagem e às explicações, preferimos privilegiar uma tomada de consciência de que, aquém ou além da expressão verbal, as próprias emoções são terríveis instrumentos de manipulação.


Como Lem e como um número felizmente muito elevado de pensadores, ficcionistas, dramaturgos e poetas, façamos do exercício da dúvida uma prova de apreço pela vida.


-Saguenail e Regina Guimarães-


Apresentações