Brecht para Principiantes III (Filme)
Sinopse
Havia uma Associação de Solidariedade Social que se ocupava de pessoas com dificuldades. Havia um encenador politicamente comprometido que trabalhava com pessoas em situação difícil, nomeadamente com a tal Associação. Havia um dramaturgo que concebia o Teatro como instrumento de tomada de consciência e que assumia escrever peças didáticas.
O encenador foi ter com o cineasta para o desafiar a fazer um filme a partir da sua obra cénica. O cineasta foi visitar as instalações da Associação e optou por filmar nesse local porque o cinema lida mais com os lugares da vida do que com o palco. O dramaturgo desconfiava muito dos cineastas que se apoderam das obras teatrais. O cineasta desconfiava muito dos filmes e das peças que não se apresentam como tais - e, talvez por isso, se sentiu próximo da forma nua de teatralidade do encenador e da maneira distanciada como o dramaturgo desdobra as questões que coloca. Destes encontros com afinidades à mistura nasceu o presente filme, interpretado por utentes e trabalhadores da QPI.
As duas peças de Brecht - O Que Diz Sim e O Que diz Não - tratam com aparente singeleza e muito real complexidade a questão do respeito pela tradição. A doença como negro pano de fundo, a escalada até ao abismo como metáfora da interrogação filosófica decorrente da situação-limite - eis duas expressivas escolhas do dramaturgo alemão que permitem inúmeras extrapolações e desencadeiam outros tantos ecos. Todos sabemos que, a pretexto de respeito pela tradição, os mais atrozes crimes são cometidos, mas provavelmente nenhum texto dramático conseguiu como estes textos-gémeos desnudar o assunto até ao osso sem contudo o simplificar. E é desta estética apostada numa complexidade crua que decorre a escolha de rodar a totalidade do filme num lugar de vida dominado por uma majestosa escadaria - ou seja, uma estrutura arquitetónica produtora de múltiplas leituras. Ao invés do que acontece com a despojada frontalidade da representação teatral, a transposição cinematográfica joga na multiplicação de pontos de vista e de pontos de fuga até ao momento que se opera a falsa ou verdadeira convergência: a resposta. Foi nosso desígnio, por outro lado, de devolver aos intérpretes não-profissionais a força que advém do modo como se expõem e, ao mesmo tempo, se protegem. Nenhum suplemento de «expressividade» vocal ou gestual foi acrescentado à encenação do Teatro de Ferro porque se pretendia, com os meios da arquitetura a juntarem-se aos da música, preservar o impacto da estrutura, da repetição, da variação.
-Regina Guimarães e Saguenail-
- Um filme de
- Saguenail
- A partir de textos de
- Bertold Brecht
- Encenação
- Igor Gandra
- Carla Veloso
- Interpretação
- António Henriques, Bruno Cruz, Bruno Marques, César Fernandes, Dino Feição, Emanuel Guedes, Leandro Ribeiro, Ruben Malhadinhas, Elisa Gros Rodrigues, Márcio Joel Teixeira, Sandra Mota Coelho, Soraia Santos, Teresa Saturnino e Fátima Fonte
- Fátima Fonte (Piano)
- Tiago Shwab (Flauta)
- Imagem
- Paulo Castilho
- Som e misturas
- Rui Coelho
- Montagem
- Pedro Vasconcelos
- Saguenail
- Música
- Fátima Fonte
- Assistência de realização
- Inês Barbedo Maia
- Luís Vieira Campos
- Júlio Alves
- Pedro Vasconcelos
- João Abreu
- Estagiária de realização
- Carlota Gandra
- Direção de produção
- Carla Veloso
- Assistência de produção
- Inês Barbedo Maia
- Sandra Coelho
- Realização
- Saguenail
-
Brecht Filme II
© Teatro de Ferro
-
Brecht Filme I
© Teatro de Ferro