OLO - © Susana Neves

OLO – Um solo sobre um solo

No início era eu e uma marioneta num espaço vazio. Era eu a descobrir o que esta marioneta era capaz de fazer. Com a insistência e a repetição, compreendi que era a própria marioneta que (se) estava a descobrir. Percebi então que este era um solo sobre um solo.


Esta peça de marionetas é animada por uma questão: será que é possível representar o que acontece quando nos fechamos sozinhos numa sala de ensaios, num atelier com o objetivo de criar uma coisa nova? O que se descobre e o que se inventa nesta quimera? O que é que já lá estava? O que regista a caixa negra? Estaremos realmente sozinhos quando estamos em cena a solo? De que nos serve o que vivemos, lemos, sonhamos, desejamos, tememos... De que nos serve o que já foi feito por outros, noutros tempos e noutros lugares?


É também sobre o papel da memória enquanto processo de evocação que se relaciona com a vida a acontecer (um processo de descoberta) de que nos fala esta peça.


O assunto é eventualmente demasiado sério, felizmente está em boas mãos - foi entregue a uma marioneta. OLO pode ser também o nome do homenzinho que observamos, como quem observa uma criança estranha que brinca com tudo e com nada. Uma criatura que persiste na hesitação entre observar e construir o mundo que habita, ou nos convida a habitar.


Igor Gandra · Maio 2014


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