Duas mães e duas filhas vão à missa com três mantilhas - © Laurinda Branco e Teresa Costa

Duas mães e duas filhas vão à missa com três mantilhas

Laurinda Branco e Teresa Costa, mãe e filha, juntam-se durante esta semana para tecer a espera, permitindo-se dissecar o vínculo gerado entre si.

Esta expressão/adivinha, popular, baptiza o trabalho remetendo-nos para um universo de tradições e partilhas no seio da família, no feminino. Sobre ser mãe e filha em simultâneo, sobre o passar de testemunhos, saberes e estórias entre gerações. Também as mantilhas, como objetos de protecção moral, nos sugerem perspectivas de mães e filhas passadas.

A performance e instalação que se propõe é uma construção simbólica desse universo feminino, composta de linhas naturais (troncos) e fabricadas (fios) que preenchem o espaço, organizadas num labirinto sempre em construção. 

Os troncos são enrolados em fio, num processo que prolonga o tempo da partilha, porque lento e minucioso. Cada tronco é um espaço tempo. A estrutura eleva-se do chão porque se quer etérea, delicada e forte ao mesmo tempo. Pinta-se de verde e terra, numa perspetiva de renovação. O imaginário inspira o trabalho mas essencialmente a metodologia do processo. Deste tempo habitado, surge uma narrativa de questões intricadas que nos percorrem e inquietam, atando-nos o medo da conformidade.

Que pensamentos ocorrem quando se está perdido no labirinto?